31 de jul de 2005

Para emagrecer, especialistas dos EUA recomendam desligar a TV

WASHINGTON (Reuters)

Os norte-americanos, cada vez mais obesos, deveriam desligar a TV, fazer exercícios e consumir "uma variedade ampla de alimentos", afirmou um grupo de nutricionistas na quarta-feira, rejeitando a onda das dietas ricas em proteínas.

A comissão de 13 especialistas, encarregada de atualizar as Diretrizes Alimentícias para os Norte-Americanos -- um manual do governo para uma alimentação saudável -- disse que as pessoas precisam equilibrar a ingestão de alimentos com seu nível de atividade, para evitar ganhar peso.

Dois terços dos adultos dos EUA estão acima do peso, e entre as crianças os níveis de obesidade estão explodindo. A má alimentação e o sedentarismo já provocam 400 mil mortes por ano e em breve devem superar o fumo como a maior causa de mortes evitáveis.

Em uma sessão convocada para juntar as sugestões, os especialistas concluíram que "uma ampla variedade de alimentos", como frutas, legumes, grãos, laticínios, carnes e outras proteínas "contribuem para atender às recomendações nutricionais". A redação da nova cartilha deve ser feita na quinta-feira, mas outra reunião pode ser convocada se não houver consenso. A divulgação está prevista para janeiro.

"Nos momentos de lazer, todos os indivíduos, especialmente crianças e adolescentes, deveriam limitar seus comportamentos sedentários, como assistir à TV ou ao vídeo", disse a comissão.

Em uma declaração preliminar, o grupo disse que os adultos precisam de "pelo menos 30 minutos de atividade física moderada na maioria dos dias". Para manter a saúde e o peso, muitos deveriam ter uma hora diária de atividade moderada ou vigorosa.

Segundo Benjamin Caballero, professor de nutrição na Universidade Johns Hopkins, os norte-americanos tendem a passar seu tempo livre sentados.

Os nutricionistas enfrentam um impasse quanto à culpa que cabe aos refrigerantes pela obesidade, apesar de concordarem que as pessoas que consomem açúcar em excesso exageram na ingestão de calorias.

"Eu me sentiria mais confortável sem ter um alimento em especial como alvo", disse a nutricionista Theresa Nicklas, participante da comissão e professora da Faculdade de Medicina Baylor.

Carlos Camargo, da Escola de Medicina de Harvard, argumentou que três estudos mostraram claramente que as taxas de obesidade crescem conforme as crianças consomem mais bebidas adoçadas, como refrigerantes. A comissão aceitou estudar o assunto durante a noite.

Pela proposta apresentada à comissão, as atuais dez diretrizes da cartilha serão reduzidas a sete, colocando mais ênfase no consumo de frutas e legumes e na conjugação de dieta com exercícios adequados.

Para Margo Wootan, diretora de política de nutrição da entidade Centro para a Ciência no Interesse Público, a linguagem da proposta "não é tão direta quando eu achava que deveria ser". "É preciso reduzir calorias também".

O trabalho da comissão também está sendo observado de perto por grupos ligados à indústria e à agricultura.

Os fabricantes dizem que seria injusto qualificar determinado alimento de "mau", e que consumo é uma escolha individual. Ativistas querem uma linguagem clara a respeito dos riscos de gorduras, açúcares e sal.

A última vez que o governo atualizou o manual foi em 2000. Na época, pediu aos norte-americanos que fossem mais ativos, consumissem mais grãos, frutas e verduras diariamente e controlassem a ingestão de gordura, sal e açúcar.

A revisão da cartilha está sendo supervisionada pelos Departamentos da Agricultura e da Saúde.

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