16 de nov de 2004

Fora Celulite

(artigo retirado do site bolsa de mulher)
Entra tratamento, sai tratamento, e a famigerada celulite insiste em continuar seu implacável ataque à retaguarda da mulherada. Em parte, a culpa disso é dos volúveis hormônios femininos, que não satisfeitos em mexer com a cabeça, querem ainda bombardear a bunda. Mas, como a teimosia também circula ao mesmo tempo – e em igual proporção – em nossas veias, só resta escolher o arsenal para expulsar essa corja que cisma em se aboletar em nosso latifúndio.
Cientificamente, a celulite é uma inflamação do tecido conjuntivo subcutâneo, que evolui para um edema e mais tarde para uma lesão fibro-esclerótica, comprometendo a estrutura do tecido adiposo da sua vítima. Entendeu? Então, a dermatologista Lígia Kogos explica de uma forma tão clara quanto a que você vê no espelho: “A celulite é a gordura acumulada entremeada por traves fibrosas, é como se fosse um jogo da velha, onde ainda existe a retenção de líquido”, esclarece a dermatologista. As causas para manter essa gordura atrás das grades vão desde o simples fato ter nascido mulher – culpa do hormônio feminino estrógeno –, passando pelo sedentarismo e encontrando a sua hereditariedade bem naquela curva da sua coxa.
Outra que tem uma grande parcela de culpa por esse assentamento de crateras em seu corpo é a alimentação inadequada. “O excesso calórico é uma das causas da celulite. Muita gente fala que os refrigerantes ou as bebidas gasosas influenciam, mas isso não é verdade, o açúcar delas é o responsável“, afirma a nutricionista Anita Sachs. Portanto, a celulite é um processo inflamatório de origem multifatorial, ou seja, não existe apenas um culpado. “Quanto maior o seu grau fica mais claro que houve associação dos agentes causadores”, explica o cirurgião plástico André Cervantes, presidente do conselho médico da Estética Onodera, em São Paulo.
Tudo certo que a celulite se alojou em seu corpo sem ser convidada. Mas cabe a você fazer sua parte para tentar botar essa intrusa para correr, ou melhor, você mesma correr, pedalar, malhar... para ela sair dali. “Bom, vale ressaltar que toda mulher tem celulite, umas mais, outras menos, mas todas têm. A celulite está ligada aos hormônios, então, fica difícil de desaparecer completamente”, diz o personal trainer Marcelo Salles, acrescentando que a atividade física entra em campo para colaborar com a melhora da condição geral do corpo. “Os exercícios propostos vão ser de acordo com a condição física que a pessoa se encontra. Por exemplo: se ela precisar emagrecer, a parte aeróbica tem mais ênfase do que a anaeróbica; se precisar apenas enrijecer vai ser o contrário. E isso tudo não adianta se não tiver um controle alimentar. O combate se baseia numa série de medidas que vão trazer resultados para a saúde e, por conseqüência, para o corpo”, afirma Marcelo.
E a grande jogada dos exercícios físicos é o fato de eles não deixarem a gordura fixar residência. “Por melhorarem a circulação, os exercícios dificultam a deposição de gordura e também facilitam sua eliminação, principalmente os que desenvolvem músculos. As mulheres com músculos possuem um percentual menor de gordura e, portanto, menos celulites. É esse o motivo de muitas magras serem cheias de celulites, pois elas não possuem músculos, apenas gordura, pele e osso”, descreve Lígia Kogos, alertando para um grande vilão da beleza das magrinhas e das gordinhas: “O cigarro piora demais a celulite por prejudicar a oxigenação do organismo. Para se ter uma noção, 95% das magras fumantes têm celulite e olheiras”, diz Lígia.
Para atenuar nosso desespero de causa, não faltam bons e eficientes tratamentos. E de acordo com os especialistas, se os cuidados forem seguidos à risca, as chances de melhora são grandes. “A resposta aos tratamentos depende de cada organismo. Mas, quando a paciente segue as orientações do médico e do nutricionista, os resultados são sempre satisfatórios, principalmente para os graus mais avançados”, revela André Cervantes. E os mais indicados são a drenagem linfática manual, que consiste numa massagem vigorosa para eliminar o excesso de líquidos e toxinas, melhorando a circulação linfática e sangüínea; o ultra-som, que age facilitando a penetração de substâncias e estimula a reabsorção da fibrose entre as células de gordura; a endermologia, que é um aparelho de sucção e rolamento que massageia os tecidos e estimula a circulação local; e a intradermoterapia, injeções de certas substâncias que ajudam a dissolver os nódulos.
Isso tudo fora os cremes, que se tornaram verdadeiras armas químicas para tentar ganhar essa guerra. “Os cremes à base de hormônios masculinos, como o oxandrolona são muito eficazes. E existem também outros coquetéis que levam cafeína, hormônios tiroideanos, centella asiática, substâncias que vão entrar na fórmula em maior ou menor concentração dependendo do grau da celulite”, informa Lígia Kogos. A dermatologista Liane Mazzarone explica que a função principal desses cremes é a de melhorar a vascularização no tecido afetado e auxiliar a lipólise. “O princípio ativo básico de muitos cremes é a cafeína nanosferizada ligada à molécula de silício orgânico”, revela ela, acrescentando que essa parceria das substâncias torna o creme muito mais eficaz. “O silício orgânico tem a identidade com as células do tecido, facilitando a penetração dos ativos que, por estarem em forma de nanosfera, são liberados lenta e gradualmente com o aproveitamento mais prolongado ”, diz Liane. Além desse arsenal cosmético, existem também aliados via oral, como os comprimidos de asiaticosídeo, pertencente à família da tradicional centella asiática.
Para quem lutou até a última conseqüência e não conseguiu acabar com todas as inimigas, já existe uma arma com efeito de canhão – literalmente: o subcision. “Este procedimento consegue resolver a celulite de grau IV. Com anestesia local, uma agulha específica, chamada Nokor, é introduzida na pele acometida pela celulite. Esta agulha possui uma espécie de ‘faca’ em sua ponta que facilita a secção das traves fibrosas. Depois de seccionadas, ocorre um hematoma desencadeado pela ruptura involuntária de alguns vasos sangüíneos adjacentes”, descreve o angiologista Roberto Rodolfo Júnior, explicando que o resultado esperado é a secção das traves, o que vai melhorar o terrível aspecto da casca de laranja. Portanto, com alguma organização e uma boa estratégia de guerra, já é possível sonhar com um futuro em que você e a celulite não vão mais dividir o mesmo território.